Manifestantes protestam contra morte da cadela Manchinha; loja do Carrefour fica fechada

Leia também: Após caso Manchinha, Carrefour diz que revisará política animal e criará ‘pet day’
-Texto atualizado - 19h04 - 08/12/2018

Manifestantes protestaram na tarde deste sábado (8) em frente ao Carrefour em Osasco, na Grande SP, contra a morte da cadela Manchinha, ocorrida no fim de novembro. O caso é investigado, e um funcionário terceirizado que disse ter agredido o animal sem intenção de machucá-lo foi afastado.

Com cartazes, o grupo homenageou a cadela, pediu punição para os responsáveis e mais rigor em penas para crimes de maus-tratos contra animais.

O ato foi organizado pelas redes sociais e ocorreu no estacionamento da loja, que ficou fechada. Na porta, foram colados cartazes e deixadas homenagens, com velas e flores.

Segundo o hipermercado, o fechamento da área de vendas foi temporário e preventivo, para garantir a segurança de todos. A empresa diz ainda que abraça e dá estrutura ao movimento.

Um dos manifestantes tinha o rosto pintado, simbolizando sangue. O ator Marcelo Médici, simpatizante da causa animal, também participou. Algumas pessoas levaram seus cães ao protesto.

Convocada para ocorrer de forma pacífica, a manifestação teve um momento mais tenso no fim da tarde e houve um rápido bate-boca diante da unidade. A Polícia Militar acompanhou o grupo, e o trânsito na avenida dos Autonomistas chegou a ser desviado em frente ao hipermercado para a manifestação.

AÇÕES

Neste sábado, mesmo dia do protesto, o Carrefour informou que esteve reunido com diversas ONGs e entidades, ouviu solicitações e recomendações para a construção de iniciativas em prol da causa animal e anunciou medidas que serão adotadas. Entre elas estão treinamento de colaboradores, realização de feiras de adoção e a criação do ‘Carrefour Pet Day’, que deve ser realizado anualmente, no dia 28 de novembro, data da morte de Manchinha.

“Dentre as ações anunciadas estão: a revisão dos procedimentos internos para lidar com animais abandonados no entorno das lojas; revisão dos treinamentos de colaboradores, parceiros e prestadores de serviço; ampliação das feiras de adoção de animais em todo o país; reaparelhamento do Centro de Controle de Zoonoses de Osasco (SP), para que possam desempenhar suas funções da melhor forma possível; criação do ‘Carrefour Pet Day’, a ser realizado anualmente no dia 28 de novembro, data da morte da cachorrinha, quando apoiará com recursos entidades de acolhimento e defesa animal, diz a empresa em nota.

A rede diz que continuará em contato com as entidades e voltou a afirmar que colabora com as autoridades e que não irá se eximir de responsabilidade.

MANCHINHA

A vira-lata vivia no estacionamento do hipermercado havia alguns dias e era alimentada por funcionários. A morte ocorreu em dia 28 de novembro e provocou reações.

Na ocasião, um funcionário terceirizado feriu o animal com uma barra de alumínio em uma tentativa de afastá-lo da loja. Sangrando, a cadela foi socorrida por agentes da prefeitura, que usaram um enforcador para a captura –procedimento questionado por militantes da causa animal.

Até então, havia a informação de que a vira-lata teria sido atropelada, e o corpo acabou cremado –procedimento padrão da prefeitura nesses casos. Mas acusações de agressão e envenenamento surgiram dois dias depois nas redes sociais e, sem corpo para necropsia,  a investigação ficou prejudicada. O inquérito se baseia em depoimentos e imagens de câmeras.

O funcionário suspeito de maus-tratos disse à Polícia Civil que acertou a cadela com a barra de alumínio de forma não intencional, no estacionamento do hipermercado. Em nota divulgada na sexta (7), a Secretaria da Segurança Pública informou que, conforme o apurado até o momento, “o Carrefour não prestou socorro ao animal, tendo apenas acionado o Centro de Zoonoses”.

Ainda segundo a pasta, o funcionário afirmou ter sido orientado por superiores a retirar o animal da área interna da loja. Mas Manchinha resistiu e rosnou. Ele, então, teria usado a barra para bater no chão, com objetivo de afugentar a vira-lata e só percebeu ela estava ferida quando voltou à loja já sangrando.

O inquérito foi aberto no dia 3, e mais de 20 pessoas já foram ouvidas pela Delegacia de Investigações sobre o Meio Ambiente. Porém, sem o corpo, não haverá laudos que indiquem a causa da morte. Além de maus-tratos e atropelamento, há a suspeita de que ela tenha sido envenenada.

O Departamento de Fauna e Bem Estar Animal, da prefeitura, afirma que a vira-lata sangrava quando foi socorrida. Socorrida, apresentava pressão baixa, vomito com sangue, tinha escoriações múltiplas. A barra de alumínio que teria sido usada contra ela foi apreendida.

O funcionário foi afastado logo após o caso vir à tona. Em nota divulgada durante a semana, o Carrefour repudia qualquer tipo de maus-tratos e reconhece que “um grave problema” ocorreu na loja. ”A empresa não vai se eximir de sua responsabilidade.”

A empresa afirma ainda que tem recebido sugestões de entidades e ONGs, que vão auxiliar “na construção de uma nova política para a proteção e defesa dos animais.”

MAUS-TRATOS

Maus-tratos contra animais é crime previsto em lei e que pode render pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.

Na próxima terça (11), O Senado deve votar proposta apresentada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para elevar a punição para crimes de maus-tratos contra animais. Pelo projeto, iria de 1 a 3 anos de detenção. Saiba como denunciar maus-tratos

*Colaborou Taba Benedicto