Polícia já ouviu mais de 20 pessoas em inquérito que apura morte da cadela Manchinha

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Mais de 20 pessoas já prestaram depoimento à Polícia Civil de São Paulo no inquérito que apura a morte da cadela Manchinha. Entre os ouvidos está o funcionário terceirizado do Carrefour de Osasco suspeito de agredir a vira-lata.

Segundo a Secretaria da Segurança, ele disse que acertou a cadela com a barra de alumínio de forma não intencional, no estacionamento do hipermercado. Em nota, a pasta informou que, conforme o apurado até o momento, “o Carrefour não prestou socorro ao animal, tendo apenas acionado o Centro de Zoonoses”.

Em depoimento, o funcionário afirmou ter sido orientado por superiores a retirar o animal da área interna da loja. Mas Manchinha resistiu e rosnou. Ele, então, teria usado a barra para bater no chão, com objetivo de afugentar a vira-lata, e só percebeu ela estava ferida quando voltou à loja já sangrando.

Acionados para o resgate, funcionários da prefeitura levaram o animal para atendimento emergencial, mas ele não resistiu. Como, na ocasião, o órgão municipal havia sido informado que se trataria de um atropelamento, realizou a cremação do corpo, como normalmente ocorre nesses casos.

O procedimento para a captura de Manchinha, com uso de enforcador, foi questionado por protetores e ativistas. Nesta semana, o hipermercado informou que a cadela chegou a desfalecer durante a captura.

A previsão é que a Delegacia de Investigações sobre o Meio Ambiente conclua na próxima semana o inquérito, que será encaminhado à Justiça.

MANCHINHA

A vira-lata vivia no estacionamento do hipermercado havia alguns dias e era alimentada por funcionários. A morte ocorreu em dia 28 de novembro e provocou reações.

O caso passou a ser investigado dias depois, após a divulgação, nas redes sociais, de denúncia de maus-tratos. O inquérito foi aberto no dia 3. Porém, sem o corpo, não haverá laudos que indiquem a causa da morte. Além de maus-tratos e atropelamento, há a suspeita de que ela tenha sido envenenada.

O Departamento de Fauna e Bem Estar Animal, da prefeitura, afirma que a vira-lata sangrava quando foi socorrida. Socorrida, apresentava pressão baixa, vomito com sangue, tinha escoriações múltiplas. A barra de alumínio que teria sido usada contra ela foi apreendida.

O funcionário foi afastado logo após o caso vir à tona. Em nota, o Carrefour repudia qualquer tipo de maus-tratos e reconhece que “um grave problema” ocorreu na loja. ”A empresa não vai se eximir de sua responsabilidade.”

A empresa afirma ainda que tem recebido sugestões de entidades e ONGs, que vão auxiliar “na construção de uma nova política para a proteção e defesa dos animais.”

MAUS-TRATOS

Maus-tratos contra animais é crime previsto em lei e que pode render pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.

Na próxima terça (11), O Senado deve votar proposta apresentada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para elevar a punição para crimes de maus-tratos contra animais. Pelo projeto, iria de 1 a 3 anos de detenção.

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