Pesquisa investiga Covid-19 em pets e analisa animais em cinco capitais

Lívia Marra

Uma pesquisa coordenada pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) vai avaliar cerca de mil animais cujos tutores testaram positivo para Covid-19. O objetivo é analisar o risco de transmissão homem-animal no Brasil.

Segundo a universidade, será o primeiro estudo do gênero em um país tropical —algo semelhante foi desenvolvido na Itália.

Para o estudo, a equipe procura voluntários em Curitiba, Belo Horizonte, Campo Grande, Recife e São Paulo. Interessados devem entrar em contato pelo email COVID19@ufpr.br.

Desde o começo da pandemia, alguns animais receberam diagnóstico positivo para coronavírus pelo mundo. No Brasil, uma gata em Cuiabá é o primeiro pet a apresentar o vírus.

Nos Estados Unidos, o pastor alemão Buddy, primeiro cachorro com diagnóstico para coronavírus nos país, precisou ser submetido a eutanásia meses após o Sars-CoV-2. Segundo veterinários, ele possivelmente sofria de linfoma e, de acordo com a agência AFP, há dúvidas se, assim como humanos, animais com doenças preexistentes podem ser mais suscetíveis a formas graves da Covid-19.

No entanto, não há evidências de que os animais de estimação transmitam a doença. São os humanos que contaminam os animais, segundo informações da FDA (agência de controle de drogas e alimentos, com função similar à da Anvisa) e do CDC (Centros de Controle de Doenças), ambos dos Estados Unidos.

A recomendação é manter gatos dentro de casa e, no caso dos cães, adotar o distanciamento também na hora do passeio, evitar interação com pessoas que não moram na casa e ter cuidado com a higiene. E não se deve colocar máscaras nos animais.

PESQUISA

A pesquisa brasileira é financiada pelo CNPq e Ministério da Saúde. A UFPR afirma que o objetivo é contribuir para a tomada de decisão pelo poder público quanto a medidas de prevenção e controle da doença em animais de estimação.

Serão dois momentos de avaliação, com amostras biológicas coletadas com intervalo médio de sete dias, entre animais cujo tutor esteja em isolamento domiciliar, com diagnóstico laboratorial confirmado por RT-qPCR ou resposta imunológica apenas por IgM.

Tutores serão informados do resultado. Em caso positivo, os demais animais da residência também serão testados em pool por espécie, segundo o coordenador da pesquisa, professor Alexander Biondo, do Departamento de Medicina Veterinária. Além disso, os familiares serão orientados a estabelecer o acompanhamento veterinário por 14 dias, intensificando medidas de higiene e proteção individual e coletiva.

Segundo Biondo, a pesquisa realizada na Itália trabalhou com uma amostra de 817 animais. Nenhum foi positivo no PCR, mas 3,4% dos cães e 3,9% dos gatos apresentaram anticorpos contra o SARS-CoV-2. “Até o final de 2020, esperamos ter em torno de mil amostras nas cinco capitais estaduais”, diz.

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