Pet friendly, cervejaria tem cachorro em logo, tanques, escritórios e mesas

Lívia Marra

Atualização – 12.set.19

Cachorros. Muitos. Por todo lado. Um dá as boas-vindas na lojinha de suvenir. Outro divide a mesa com clientes na área de bar. Uma olhadinha em um dos escritórios, e a sensação é de há mais pets do que funcionários.

Enquanto lugares pet friendly ainda ganham espaço por aqui, cães são parte do dia a dia da cervejaria californiana Lagunitas. Eles podem ser vistos em quase todos os cantos. São vetados apenas na área de produção, mas também marcam presença ali: dão nomes aos tanques de fermentação.

São cães famosos ou pets de funcionários, homenageados após virarem estrelinhas. Há Lassie, Pluto, Petey, Bear, Iggy…

“Em vez de falar ‘estamos tirando o tanque 51’, nós falamos ‘estamos friltrando o Scrapy hoje'”, diz a cervejeira Mary Nowak.

O cervejeiro Jeremy Marshall lista alguns dos tanques, como Ren, da animação americana “Ren & Stimpy”, e brinca: “Scooby e Snoopy estão um ao lado do outro e é assim que acidentalmente fazemos novas cervejas”.

O Bom Pra Cachorro visitou neste mês a fábrica da cervejaria em Petaluma (EUA). Na unidade, chama a atenção o enorme pôster de um labrador em um dos tanques.

Trata-se do “herói canino” Armstrong, da Dogs4Diabetics. A ONG, uma das apoiadas pela empresa, treina cães para identificar crises, auxiliar e dar segurança a diabéticos.

CACHORRO, MÚSICA E CERVEJA

Cães, assim como música, estão entre os pilares da cervejaria, que mantém programas de apoio a ONGs de animais –com doações em cerveja– e incentivo a músicos locais –contratados para shows.

“Nós apoiamos muitas organizações, especificamente de cachorros”, afirma Jim Jacobs, diretor de doações para a comunidade.

A marca, criada em 1993 por Tony Magee e que hoje pertence à Heineken, deve chegar em breve ao Brasil. A expectativa é que esse mesmo estilo de vida seja visto por aqui.

APROXIMAÇÃO

Tony adora animais e levou seus hábitos para a empresa –a começar pelo cachorro que estampa a marca e aparece em rótulos e tampinhas da cerveja. Ele foi inspirado em Petey, o companheiro canino de “The Little Rascals” (“Os Batutinhas”).

Jacobs diz se lembrar das inúmeras vezes em que o fundador e sua mulher resgataram animais e levaram para a cervejaria. A diretora-executiva, Maria Stipp, conta que ele tem “dois ou três” cachorros. Mas isso depende das paradas do caminho, “pois há chances de pegar mais um”, interrompe Marshall.

Karen Hamilton, irmã de Tony e diretora de relações com a comunidade, contou sua história para ilustrar a capacidade dos cães em aproximar pessoas. Segundo ela, quando a cervejaria de Chicago era construída, seu border collie foi o primeiro cão a fazer a diferença por ali e serviu como apoio aos funcionários de uma empresa alemã que montou os equipamentos. Meses longe da família e de seu país, eles se aproximaram de Hershey –que passou a ganhar alguns pedaços de linguiça— e acabaram compartilhando com ela histórias de seus pets.

“É uma coisa linda como animais podem ser tão valiosos por tantas razões”, afirma, ao explicar a tradição de dar aos tanques nomes do cachorros dos empregados. O border collie também já foi homenageado.

PELUDOS E MAIS PELUDOS

Cães são bem recebidos e podem ser encontrados por toda a parte. No dia da visita à fábrica, logo que o veículo com a reportagem parou diante da empresa em Petaluma, um buldogue deixava o local, andando vagarosamente atrás do tutor.

Ao entrar para um café da manhã com o grupo convidado, deu de cara com Dude, husky com um olho azul e outro verde, que acompanhava Russell Smithson, gerente de treinamento de cultura.

Mas ele não era o único funcionário com cachorro. Pouco depois, o Bom Pra Cachorro foi a um dos departamentos da cervejaria. Ao abrir a porta, três funcionárias discutiam algo ao redor de uma mesa, e a reportagem foi recepcionada por um cãozinho preto de porte médio, que logo pareceu não se importar muito com a presença de um estranho. Não havia latidos ou barulho.

Em seguida, correria. Em um corredor, dois cachorrões brincavam de pega-pega, como se estivessem em casa. Além deles, ao menos mais dois pequenos cães estavam na sala, que, entre papeis e computadores, tinha pote de água, caminha e brinquedos espalhados pelo chão.

Não há regras de porte ou dias específicos para que cachorros sejam levados ao trabalho. O único requisito é que eles se deem bem com outros animais e pessoas. A estimativa é que 1/3 dos 325 funcionários em Petaluma levem seus pets ao trabalho.

“Às vezes lá tem mais cachorros do que colaboradores nas reuniões”, diz Renata Costa, gerente da marca Lagunitas no Brasil. Para ela, a presença de animais torna o dia a dia mais leve e faz com que a interação entre os colaboradores seja maior e mais pessoal.

No Brasil, a política de trabalho pet friendly deve ser mantida, com ações para que cachorros sejam levados ao escritório. “Acabamos de fazer o nosso primeiro #LagunitasDogDay e foi um sucesso.”

ESTÁ NOS EUA?

Cachorros de todas as raças e tamanhos são aceitos em Petaluma. A regra para clientes é a mesma aplicada aos funcionários: seus pets precisam apenas ser bons para outros cães e outros seres humanos.

O TapRoom abre ao público de quarta a domingo. Às segundas e terças o local fecha para eventos sem fins lucrativos e captação de recursos para ONGs animais, mas os cãezinhos também são bem-vindos nessas ocasiões.

Apesar de pet friendly, o local não tem cervejas para cães –apenas para humanos e, lembre-se: nada de oferecer álcool ao seu pet. No entanto, na lojinha de produtos da marca há petiscos, coleira e outros produtos para animais.

CERVEJA

A cervejaria nasceu no fogão da cozinha do Tony Magee na região de Lagunitas, norte da Califórnia. A marca hoje está presente em 35 países, com cervejas permanentes e limitadas. Nos EUA, são vários tipos de bebidas, incluindo água lupulada. Tem também a Hi-Fi Hops, que pode ser encontrada na Califórnia. Lupulada e com zero álcool, é uma infusão de THC, princípio ativo da maconha —o consumo é permitido por lá.

Por aqui, apenas o carro-chefe da marca, a IPA, chegou ao mercado –e inicialmente em pontos de venda específicos no Sudeste. A cerveja é produzida em Blumenau (SC), com lúpulo importado e sob supervisão da americana.

*A jornalista viajou a convite da Lagunitas