Quatro motivos para não dar chocolate ao cachorro

Lívia Marra

A Páscoa está chegando e é difícil resistir aos chocolates. Mas o pet deve ficar longe da guloseima.

Por quê?

– pode causar intoxicação
– pode causar distúrbios gastrointestinais, como diarreia e vômitos
– pode desencadear arritmias cardíacas
– pode matar

Os motivos acima foram apontados pelos veterinários Mário Marcondes, diretor clínico do Hospital Veterinário Sena Madureira, e Carla Berl, fundadora da Pet Care.

O risco vem de substâncias presentes no cacau: cafeína e teobromina, não metabolizada pelos pets.

A quantidade dessas substâncias varia de acordo com cada tipo de chocolate, e a intoxicação também depende da quantidade ingerida e o porte do animal. Os chocolates mais escuros e amargos contêm mais teobromina e são os mais tóxicos. Porém, chocolate branco e ao leite também fazem mal, são gordurosos, e não devem ser oferecidos aos pets.

O doce pode causar vômito, diarreia, arritmia cardíaca e, nos casos mais graves e raros, até convulsão e morte. Os sinais de intoxicação geralmente aparecem entre 6 horas e 12 horas após a ingestão.

Se, para o tutor, a Páscoa da família só será completa com um mimo para o pet, há no mercado chocolates específicos para eles, sem açúcar ou cacau.

NEM UM PEDACINHO

Para evitar que o animal passe mal, ele não deve ganhar nem um pedacinho da guloseima feita para os humanos, mesmo que pareça implorar.

A veterinária Carla Berl lembra que o animal de estimação doente acaba com a festa da família e que o gasto para cuidar da saúde dele é elevado.

Segundo ela, as quantidades tóxicas não necessariamente precisam ser ingeridas de uma única vez, já que a teobromina pode permanecer no organismo por até seis dias. Assim, se o animal consumir doses mesmo que pequenas, em dias sucessivos, também pode sofrer intoxicação.

Não existe um antídoto, e o tratamento leva em conta os sintomas apresentados. Na maioria dos casos, o animal precisa ficar internado.

No Hospital Sena Madureira, os casos de internação por intoxicação costumam aumentar 15% no período da Páscoa. Cães são mais suscetíveis do que os gatos, que têm apetite considerado mais seletivo.

De acordo com informações da unidade, 28,35 gramas de chocolate ao leite podem conter de 44 a 58 miligramas de teobromina e 6 miligramas de cafeína, enquanto 28,35 gramas de chocolate amargo contêm 393 miligramas de teobromina e de 35 a 47 miligramas de cafeína. Sintomas mais leves ocorrem a partir da ingestão de 20 miligramas por quilo de teobromina e cafeína. As reações mais graves, a partir da ingestão de 40 a 50 miligramas por quilo de teobromina e cafeína.

O risco aumenta no caso de filhotes, pets idosos ou de pequeno porte.

“Para um animal de dois quilos, uma barra de 100 gramas de chocolate pode ser letal quando ingerida”, afirma a médica-veterinária Maria Cristina Timponi, presidente da Comissão de Entidades Veterinárias Regionais do CRVM-SP (Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de SP).

O QUE FAZER

É importante que, em casa, a família evite acesso do pet a chocolates, oriente visitas e observe seu comportamento.

A Pet Care sugere:
– Se você esconder o chocolate para as crianças procurarem, há risco de o cachorro encontrar bem mais rápido, por causa do faro. O ideal é só soltar o animal depois que os pequenos localizarem todos os ovinhos.
– Mantenha os ovos em lugares inacessíveis aos pets. Evite deixar sobre mesinhas, sofás ou lugares de fácil acesso a eles.

O hospital Sena Madureira lembra que mesmo os chocolates especiais para os animais não devem ser oferecidos em excesso e que a dieta balanceada ideal pode ser sempre composta apenas pela ração.

NÃO É SÓ O CHOCOLATE

O peixe, outro produto tradicional na Páscoa, pode ser oferecido aos pets desde que cozido, sem espinhas, temperos ou condimentos e em pequenas quantidades.

Apesar disso, a veterinária Maria Cristina Timponi afirma que o melhor é evitar compartilhar o prato. “Alimento humano é para humanos. Nós devemos restringir os alimentos para os nossos pets àqueles que sejam realmente feitos para eles, como as rações comerciais, que são completas e balanceadas.”

Temperos comuns na mesa do brasileiro, o alho e a cebola são proibidos para os animais. Segundo o CRMV, eles afetam as hemácias e se podem gerar sérias complicações, se ingeridos em grande quantidade.

Frutas como uvas e abacate possuem elementos tóxicos e causam vômitos, diarreias e problemas respiratórios.

(Imagem no alto: Fotolia)