Pet devolvido pode ficar deprimido e evitar o toque, dizem voluntárias de ONGs

A torcida de todo defensor da causa animal é para que cães e gatos que lotam abrigos sejam adotados e felizes pelo resto da vida. Porém, isso nem sempre acontece. Muitos conseguem um lar, mas acabam devolvidos às ONGs, às vezes antes mesmo de um período mínimo de adaptação.

Casos assim são são raros no país. Falta de tempo para cuidar do pet, porte e temperamento estão entre as justificativas.

Neste ano, um chamou a atenção e envolveu os cães da atriz Cláudia Ohana. Adotados em dezembro, aos dois meses, os peludos cresceram rápido e foram entregues cinco meses depois. A atriz disse que deixou os cães na ONG porque, em meio à pandemia, não tinha condições de cuidar deles sozinha, sofria com crises de coluna, mas sentia falta dos animais e que o afastamento seria temporário.

O Projeto Toca do Bicho, no entanto, afirma que as reclamações ocorriam antes da crise do coronavírus e rebateu as declarações com fotos de sofás destruídos e áudios que mostravam a intenção de devolver os pets. E estava decidido: informou que não devolveria os animais a ela.

Na ocasião, Amanda Daiha, responsável pela ONG, afirmou que Thor e Tigrão chegaram deprimidos e não queriam comer. Segundo ela, Tigrão foi o mais sensível: emagreceu, se tornou medroso e desconfiado. Já Thor ficou mais eufórico, querendo dominar o irmão em busca de total atenção e carinho.

Ambos permanecem no abrigo da ONG, que atende cerca de 150 animais entre cães e gatos. Os protetores afirmam que ainda não acharam a família ideal para finalizar a adoção.

Outro exemplo é uma pit bull achada nas ruas da zona norte de São Paulo. Luna foi resgatada, castrada e chegou a ser adotada. No entanto, a cadela –de um ano e cheia de energia– foi devolvida duas vezes. Mas ela continua feliz e em busca de uma nova casa, afirma a protetora Gianna de Lucca.

Segundo Alexandra Gimenez, diretora da AmahVet Clínica Veterinária e voluntária do abrigo Chácara da Dolores, o pet devolvido normalmente recusa alimentos, não quer mais socializar, fica mais agressivo com outros animais e até evitam serem tocados.

“Nesses casos, temos um trabalho mais que dobrado para ressocializar esse animal até ele estar pronto para uma nova adoção”, afirma.

Para ela, é preciso ter consciência na hora de adotar. “Os pets precisam de cuidados veterinários, vacinas, exames de check-up, podem ficar doentinhos. Precisam de boa alimentação, carinho, segurança, passeios.”

Além disso, Alexandra ressalta que levar um animal para casa deve ser uma decisão da família, e não um desejo isolado. “Sabemos que no dia a dia esse pet terá contato e também será responsabilidade de todos os outros membros da família. Então, é importante que todos da família estejam de acordo com a adoção. Isso evitará conflitos e futuras devoluções. Diálogo é fundamental.”

Mas é preciso levar em conta as condições da casa, disponibilidade da família, custos e necessidades do animal. Um cachorro adotado filhote, por exemplo, pode crescer e ficar com porte além do esperado. “Se a escolha é por um animal adulto, é preciso ter bastante paciência com a adaptação. E quando falo em adaptação, é sobre cães que latem quando ficam sozinhos, ou sobre fazer xixi fora do lugar, ou um cachorro que fica triste e não chega na casa todo brincalhão, como o novo tutor espera”, afirma.

E quando o pet é adotado apenas para satisfazer os filhos? A empresária e voluntária defende que crianças não estão preparadas para tanta responsabilidade, “então os pais precisam ponderar se vão ter tempo e se querem mais uma responsabilidade”.

Já quem quer adotar um gato não tem muito problema com espaço. Mas deve se preocupar com o preparo do ambiente. Prateleiras, lugares altos e arranhadores são importantes para manter o bem-estar, além de telas instaladas nas janelas para evitar acidentes e fugas.

“Ou seja, é uma decisão que tem que ser pensada. Acredito que seja muito parecido como quando decidimos ter um filho. Temos que ser conscientes que o pet vive em média 15 anos ou mais, e que será nossa responsabilidade mantê-lo financeiramente, fisicamente e emocionalmente durante toda sua vida”, afirma.

(Imagem no alto: Adobe Stock)

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