É preciso ser mãe de todos, diz tutora de Pérola Carolline e Gregório; leia relato

Lívia Marra

“Sempre tive animais de estimação, mas, agora, algo mudou”. Assim, Neila Caputo diz como é se sentir mãe de seus dois cãezinhos: Pérola Carolline e Gregório Aparecido.

Adotados após viverem nas ruas de Belo Horizonte, hoje eles são conhecidos nas redes sociais pelas fotos bem humoradas e  posts fofos, inclusive quando falam sério.

Tudo começou com Pérola, que buscou refúgio na porta da casa da Neila em um dia de chuva. Adotada, a cadela passou a acompanhar a tutora em corridas matinais e ganhou o título de musa fitness, por compartilhar imagens e dicas de saúde. Mas, depois, veio Gregório para completar a família —e se juntar ao perfil da irmã de quatro patas.

Além de muito amor, ser mãe de pet inclui as preocupações com saúde e bem-estar do bichinho. Neila fez cursos de alimentação natural, já que Pérola teve intolerância a ração. Recentemente, o susto foi com Gregório, que começou a apresentar coceiras, feridas e houve até suspeita de leishmaniose —exames comprovaram problema renal.

“Esse susto que passei com o Greório. […]  me ensinou que não podemos deixar pra amanhã aquele passeio, aquela brincadeira, aquele abraço, aquela bagunça em cima da cama”, diz Neila em relato ao blog para marcar o Dia das Mães, lembrado neste domingo (13). Para ela, esse amor deve se estender às pessoas. “É preciso ser mãe de todos.”

Leia a íntegra:

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Quem nunca ouviu a frase: “você só saberá o que é amor de mãe quando se tornar uma”? E é verdade.

Quando criança, sempre tive animais de estimação e os amei muito, mas, agora,

algo mudou. Em uma noite de chuva, ao chegar do trabalho, me deparei com um cãozinho deitado no tapete da minha porta. Tão debilitada, magrinha e com olhos de esperança que fizeram meu coração sorrir. 

Foi assim que conheci a Pérola. Naquela noite algo mudava em mim. Não era mais uma criança e seu cachorrinho, era alguém responsável por uma vida. 

Pérola crescia em tamanho e doçura, se tornou minha parceira das corridas matinais. Acompanhada por uma veterinária, passou a usar alimentação natural devido a problemas de intolerância com ração. Fiz cursos sobre o assunto, fico imensamente feliz em vê-la se alimentando com as refeições que eu mesma preparo.

Depois, através de rede social, meu marido e eu vimos a foto de um cão, de aproximadamente três anos, que estava para adoção. Foi assim que o Gregório completou nossa família.

Consequência do tempo que morou nas ruas, seu estado de saúde sempre foi frágil. Além das coisas proibidas que comia escondido, ele é asmático e muito alérgico. Em abril, após apresentar uma coceira intensa, a veterinária examinou e passou algumas medicaçãoes. Como teve  reação adversa a uma delas, voltamos à médica, esta solicitou exame de sangue, pois apareceram muitas feridas pelo corpo e ele perdeu peso consideravelmente. 

Apesar de serem vacinados, houve uma suspeita de leishimaniose. Foram feitos todos os testes, que deram negativos. Mas a pesquisa continuou com uma ultrassonografia e demais exames. Então, na somatória de resultados, Gregório foi diagnosticado com um problema renal, já está em tratamento. A dieta mudou um pouco e foram acrescentados suplementos vitamínicos de acordo com prescrição.

Atualmente, sabemos que leishimaniose tem tratamento, mas muitas pessoas ainda ignoram esse fato. Lembro muito bem de uma pessoa que me falou: “Coitado! Vai ter que sacrificar”!

Quando ouvi isso, perdi meu chão, apesar de saber do tratamento. Mas à sombra de perder alguém que se ama, tudo fica escuro e vazio. O que não me deixou paralisar foi o amor que crescia e cresce em mim, eles me nutrem.

Recebemos muitas mensagens carinhosas dos amigos das redes sociais, compartilhamos informçãoes e trocamos experiências. É um tipo de contato que muito acrescenta.

Esse susto que passei com o Greório, essa doçura do apoio da Pérola —que parecia compreender tudo—, me ensinou que não podemos deixar pra amanhã aquele passeio, aquela brincadeira, aquele abraço, aquela bagunça em cima da cama.

Hoje, pelo amor que sinto por eles, sei que vieram aqui para me mostrar que, com esse mesmo amor, é preciso amar as pessoas também. É preciso ser mãe de todos.