Cães ganham crachá e espaço em quadro de funcionários de empresas

Por Lívia Marra

A presença de animais deixa o ambiente de trabalho mais agradável, reduz o estresse e aumenta a produtividade, mostram estudos. No Brasil, cada vez mais empresas permitem que seus funcionários levem os pets ao escritório. Mas, mais que propiciar momentos de interação e de conforto, animais estão ganhando status de ‘funcionários’ e se integrando de fato à rotina das empresas.

Em Florianópolis (SC), o Lafayette aparece na aba de recrutamento no site da empresa mobLee, que desenvolve aplicativos para eventos. Já na Hostgator, pets ganham crachá e contam com um setor próprio: o de Recursos Humanos e Caninos.

FUNÇÕES

O buldogue francês Lafayette, 2, é de André Rodrigues, presidente-executivo da mobLee. “Logo depois que chega, no início do expediente, ele costuma dar uma voltinha pelo escritório, reconhecendo os novos cheiros e cumprimentando alguns dos colegas —ele tem os seus preferidos. Enquanto vai caminhando, recebe diversos afagos e convites para subir no colo. Nas manhã, no entanto, ele é reservado e, por vezes, um tanto blasé, ignorando os chamados e mantendo o foco na sua atividade favorita: dormir”, diz Douglas da Silva, gerente de marketing empresa.

Depois,  Lafayette vai atrás de um brinquedo ou de algum colega disposto a entretê-lo. O cachorro também tem seu horário de almoço, como os funcionários, e gosta de dar uma voltinha na rua pra espairecer e fazer suas necessidades. “Quando seu pai tem que dar uma saída no meio do expediente, presume que está sendo abandonado para todo o sempre e faz manha, mas logo algum colega aparece pra consolá-lo.”

Na HostGator, o vira-lata Willy, 5, tem crachá por ser o frequentador mais assíduo. “Ele se dá bem com todo mundo. Inclusive participa de entrevistas de trabalho hehe. O Willy aprendeu a ser educado. Só faz pipi lá fora. Não late e é amigão de todos. O Willy foi o primeiro pet a ser liberado a ‘trabalhar’ na HostGator. Depois dele, tivemos várias visitas”, afirma Andreia Girardini, tutora e gerente de Recursos Humanos.

Mas e o setor de Recursos Humanos e Caninos? “Isso na verdade foi uma surpresa e uma brincadeira da minha equipe. Como o Willy foi nosso primeiro pet, elas quiseram fazer uma homenagem. Mas para nós isso significa que respeito é tratar bem qualquer tipo de vida. Nós não discriminamos. Nós aceitamos a todos, inclusive patudinhos, peludinhos e fofinhos.”

Willy tem crachá em empresa
Willy tem crachá em empresa (Divulgação)

ROTINA

A mobLee tem 50 funcionários humanos e 12 “funcionários” animais —sendo oito cães. Na HostGator São 230 funcionários e três animais —mas já ocorreram visitas inusitadas até de coelhinhos, diz a empresa. Nos dois casos, todos os funcionários podem levar seus pets ao trabalho, sem ter um dia específico para isso.

Segundo executivos, a presença dos bichinhos quebra a tensão do dia a dia.

Para Silva, A presença dos cachorros “é divertida, porém discreta”. Girardini também afirma que os animais não afetam a rotina de trabalho, mas “quebram um pouco da sobrecarga da rotina”.

“Alegram e deixam o  ambiente e o mais descontraído. Claro que tens os momentos de pipi. Isso é inevitável. Mas notamos que mais contribui do que atrapalha. Nós incentivamos a vinda dos pets no trabalho. A energia que eles trazem é muito positiva.”

ADAPTAÇÕES

Entre os cuidados para permitir que pets dividam o dia de trabalho com seus donos estão o temperamento e o porte do animal –os grandes podem intimidar algumas pessoas. Além disso, quem  não têm afinidade com bichos não pode se sentir ‘invadido’. “É preciso respeitar que não gosta ou tem medo de animais”, disse a psicóloga Marília Zampieri.

A preocupação com a boa convivência e bom senso são levados em conta pelas empresas.

“Nenhuma adaptação em termos de infraestrutura foi necessária. Precisamos apenas tomar alguns cuidados para que possamos manter a boa convivência com as demais pessoas que trabalham no mesmo prédio —como acessá-lo apenas a partir da garagem ou levar os cachorros no colo quando no elevador. Naturalmente, bom senso no dia a dia é fundamental. Quem traz seu cachorro deve se responsabilizar integralmente por ele”, afirma Douglas Silva.

Andreia Girardini diz que a empresa confia nos colaboradores para manter a harmonia. “Não foram feitas adaptações pois não sentimos necessidade. Contamos com o bom senso das pessoas. Cada colaborador conhece o limite de seu pet.”

VANTAGENS E DESVANTAGENS

A gerente da Hostgator afirma não ver problemas ou necessidade de alterar regras para a presença dos animais.

Já o gerente de marketing da mobLee lembra que alguns bichinhos podem se exaltar e causar alguma agitação. “Mas são casos raros e sem maiores implicações. Na maior parte do tempo os animais são apenas uma presença agradável e divertida”, diz.

Cão aparece em quadro de 'funcionários'
Cão aparece em quadro de ‘funcionários'(Divulgação)