Cães em tratamento de câncer ou anemia podem precisar de transfusão de sangue; saiba se seu animal pode doar

Por Lívia Marra

O labrador Pudim, 2, é doador de sangue e nem se importa com a picadinha. “Ele fica quietinho, parece que sabe o que foi fazer ali”, diz a tutora, Fabiana Amaral.

Cães também precisam ser submetidos a transfusão e, assim como no caso dos humanos, os bancos de sangue sempre têm demanda maior do que o estoque.

Fabiana diz que via pedidos nas redes sociais, a maioria por causa da doença do carrapato, e decidiu que Pudim ajudaria a salvar vidas.

Bolsa de sangue doada pelo Pudim (Arquivo Pessoal)

“Ele doa sangue para dois lugares: Sanimvet e BSVet”, diz a tutora, que adotou o labrador ainda filhote, quando ele foi resgatado de um canil clandestino.

QUANDO É NECESSÁRIO?

Além da doença do carrapato, cães com câncer, anemia, que apresentem alteração na série vermelha do hemograma ou que tenham sofrido grande perda de sangue –como em caso de atropelamentos– podem precisar de transfusão.

Segundo a veterinária Karina Mussolino, da Petz, o procedimento é frequente e não há riscos para o doador.

O receptor, porém, pode sofrer reações. “É importante sempre fazer o teste de compatibilidade, e o procedimento deve ser  monitorado pelo veterinário para que seja feita  qualquer intervenção, se necessário”, diz.

QUEM PODE DOAR?

Para ser doador, o cão deve ser sadio e ter entre 1 e 8 anos, pesar mais de 25 kg, estar vacinado, vermifugado, sem pulgas ou carrapatos.

Gatos também podem doar. Precisam pesar mais de 5 kg , ter entre 1 e 8 anos, ser criado sem acesso à rua, estar vacinado, desparasitado e não possuir histórico de doença grave

Nos dois casos, fêmeas não devem estar prenhes ou no cio.

O animal também precisa ser dócil e paciente. No caso de gatos, pode ocorrer sedação.

Para a coleta, os bichinhos passam por exames para atestar que estão em boas condições de saúde.

De acordo com o veterinário Fábio Alexandre Rigos Alves, diretor técnico do laboratório Cepav,  o tutor deve aguardar um período mínimo de 25 dias entre uma doação e outra.

DOAR SANGUE DÓI? 

“O procedimento é indolor e  rápido”, diz Alves.

A coleta demora em torno de 30  minutos e é feita, normalmente, por meio uma punção na veia jugular. Em média, são retirados cerca de 16 ml por quilo.

Assim como acontece com os humanos, o sangue é estocado em uma bolsa. A validade do armazenamento depende do hemocomponentes retirados:   o concentrado de hemácias dura 35 dias, e o concentrado de plaquetas, cinco dias.

Fabiana e Pudim (Arquivo Pessoal)

POR QUE DOAR?

Os estoques dos bancos –humano e animal– sempre estão baixos e o problema se agrava em algumas épocas do ano, como no frio, vésperas de feriado ou festas de fim de ano.

Para Debi Aronis, do Movimento Eu Dou Sangue, apesar de os pets serem considerados membros da família, nem todos os tutores se dispõem a levar o animal até um banco de sangue.

Debi disse ao Bom Pra Cachorro que o Movimento surgiu para trabalhar pela doação de sangue humano, mas que, com o tempo, os integrantes perceberam o quanto é importante também para os animais.

“No Brasil, há necessidade de doação o ano todo”, afirma.

Ela lembra que não há riscos para o doador, mas o ideia é escolher um local confiável para fazer a doação e, de preferência, perto de casa –especialmente no caso dos animais.

“Não tenha medo. Você vai se sentir bem fazendo o bem. Isso recompensa a dor da picada”, afirma.