Castração reduz doenças e ajuda a evitar abandono; saiba benefícios

Por Lívia Marra

Animais castrados se tornam frustrados? Fêmeas devem ter ao menos uma ninhada antes de serem castradas? A resposta para as perguntas é não, segundo ONGs de proteção animal.
Mas a castração ajuda a evitar doenças e a reduzir o abandono de animais, de acordo com especialistas.

Para o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, que promove no país o Dia Mundial da Castração –neste ano lembrado nesta terça (28)–, ainda são muitos os mitos negativos associados ao procedimento.

Com o objetivo de chamar a atenção dos tutores, a Proteção Animal Mundial lançou a campanha #MostreABarriguinha, para mostrar pets castrados ou com a ‘marquinha do amor’ –cicatriz da cirurgia de esterilização.

“Esterilizar o seu animal de estimação previne várias doenças, pode reduzir comportamentos indesejados –como a demarcação territorial com xixi– e evita a frustração sexual ao longo de toda a vida”, diz Rosangela Ribeiro, veterinária da ONG.

QUAL IDADE? É PERIGOSO?

O procedimento é simples, mas, como qualquer cirurgia, envolve riscos e precisa de um período de ‘repouso’ para a recuperação, segundo a veterinária Rosália Ferreira. Nos machos, a castração consiste na retirada dos testículos, e, no caso das fêmeas, na retirada do aparelho reprodutor — ovários, trompas, útero.

Para Ferreira, a idade ideal para a cirurgia gira em torno de seis meses, antes do despertar da sexualidade. Mas não há uma idade máxima para o procedimento –desde que exames físicos e laboratoriais atestem segurança para o animal.

Castrado, o animal não pode se reproduzir. Nas fêmeas, significa ausência do cio, e, nos machos, diminuição do interesse pelas fêmeas.

“Vale lembrar que alguns machos, mesmo castrados, conseguem cruzar, mas, são inférteis”, afirma Ferreira.

A castração ajuda a reduzir doenças –fêmeas operada antes do primeiro cio têm chance quase zero de contrair câncer de mama, por exemplo. Mas o cuidado com saúde dos bichinhos deve ser permanente.

“O animal castrado não está livre de doenças. É um mito achar que se está castrado está a salvo. A castração diminui drasticamente o indício de tumores de mamas, problemas relacionados com a próstata, mas não se pode achar que 100% destes problemas estarão excluídos”, diz a veterinária.

Além disso, o tutor deve manter os cuidados com alimentação e com exercícios, para controlar o ganho de peso.

“É verdade que animais castrados têm tendência a engordar, e, com isso, apresentarem futuramente complicações de saúde devido à obesidade, como por exemplo, diabetes, lipidose hepática, artrose, problemas vasculares”, afirma.

Entre os benefícios da castração, Ferreira aponta a diminuição da incidência de tumores de mama, ausência do cio e de falsas gestações, machos deixam de demarcar território e há diminuição de problemas relacionados à próstata e testículos.

A veterinária ouvida pelo blog assim como ONGs concordam que outro benefício da cirurgia é evitar que crias indesejadas sejam abandonadas –ou que o bichinho fuja e procrie nas ruas.

Embora não exista estimativa oficial, a OMS (Organização Mundial da Saúde) fala em 30 milhões de animais abandonados no Brasil.