Doença degenerativa, mielopatia limita movimentos do cão; saiba mais

Por Lívia Marra

Dilma e Nego (Foto: Sérgio Lima-3.abr.2010/Folhapress)

Uma doença degenerativa, que atinge a medula espinhal, limita movimentos e não tem cura. A mielopatia afeta cães de grande porte e pode se manifestar a partir dos cinco anos.

“Os primeiros sintomas são de incoordenação motora, dificuldade de locomoção”, explica o medico-veterinário Márcio Rangel de Mello, presidente da Comissão Técnica de Clínicos de Pequenos Animais do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo.

Essa era a doença do labrador Nego. Uma das estrelas das propagandas eleitorais de Dilma Rousseff na campanha presidencial de 2010, ele foi submetido à eutanásia antes de a petista deixar o Palácio da Alvorada, no começo deste mês.

A evolução não costuma ser rápida, mas a mielopatia é progressiva.

O emprego de medicamentos, suplementos vitamínicos e até fisioterapia ajudam a retardar  o curso da doença. “O tratamento é paliativo. O prognóstico é desfavorável”, diz Mello.

Segundo o veterinário, o animal não chega a sentir dores, mas corre o risco de se machucar na tentativa de se locomover. “Ele não fica em pé, cai, pode esbarrar em alguma coisa. Pode ter dores em consequência disso.”

Sem os movimentos, a eutanásia pode ser indicada, após o estado clínico do cão ser minuciosamente examinado.

“Se for detectado que o animal está sofrendo, sem condições de melhora através de qualquer tratamento, o médico-veterinário é o profissional capaz de fazer o diagnóstico e a eutanásia no momento correto”, afirma. 

A causa da doença não é certa. Acredita-se que tenha origem genética.”

NEGO

Nego tinha 14 anos. A petista herdou o animal em 2005, após ele ter sido deixado na residência oficial da Casa Civil pelo ex-ministro José Dirceu.

A doença foi divulgada pela assessoria da ex-presidente após publicações em redes sociais afirmarem que ela teria abandonado um de seus cachorros ao se mudar de Brasília sem o animal idoso.

“Há dois meses, o médico recomendou que fosse abreviado o sofrimento do cão, um dos prediletos de Dilma. Relutante, ela adiou a decisão até pouco antes de deixar o Palácio da Alvorada”, informou a nota na ocasião.