Cão espancado no ES melhora, diz veterinário; comissão quer ouvir idosa

Por Lívia Marra

Atualização – 07/09/2016 – Ambrósio, o cachorro agredido no ES, ganha novo dono

Atualização: 03/09/2016 – Ainda em tratamento, cão agredido no ES deve ter alta agora em setembro

Atualização: 19/08/2016 –  Idosa diz se arrepender de agredir Ambrósio; deputada quer impedir que ela tenha a posse do cão



Ambrósio é o novo nome do cão espancado na semana passada pela tutora em Cachoeiro do Itapemirim (ES). Ele continua internado e ainda passa por avaliação médica.

O edema na cabeça diminuiu, e o olhinho está cicatrizando bem.

“É um cachorro bom, está comendo, é ativo, mas ainda tem risco pelo trauma que ele teve. Tinha muito prego na ponta da madeira usada na agressão. Então, ele tem cortes na cabeça”, diz o veterinário Marcos Eugênio Lesqueves, da clínica particular que acolheu o cachorro voluntariamente.

Apesar da boa evolução do tratamento, o cão teve diagnóstico positivo para doença do carrapato. “As taxas [do hemograma] não estão legais”, diz Lesqueves.

Integrantes da CPI da Assembleia Legislativa que apura denúncias de maus-tratos contra animais querem ouvir a idosa.

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AGRESSÃO

As imagens da agressão foram publicadas nas redes sociais. O vídeo mostra uma idosa golpeando o animal, preso a uma corda.

No dia 28 de julho, a mulher foi levada para a delegacia, assinou um termo circunstanciado e foi liberada.

Ela teria dito que o cachorro é agressivo e que tomou a atitude após uma vizinha reclamar que o animal havia mordido uma pessoa.

“É o que a gente chama de cachorro semi-domiciliado. Ele tinha casa, mas ficava parte do dia na rua”, diz Fernando da Costa Ghio, presidente da ONG Patas de Rua, que está acompanhando o caso.

Segundo ele, outros dois cães que estavam na casa da mulher na ocasião foram temporariamente levados ao CCZ (Centro de Contole de Zoonoses).

ADOÇÃO

Apesar de internado na clínica, o cachorro está sob tutela do CCZ.

Segundo Ghio, muitas pessoas já demonstraram interesse em adotar Ambrósio –que ganhou esse nome em homenagem ao médico que doou seus exames–, mas isso ainda não tem data prevista.

“Quando ele tiver alta, volta ao CCZ. A ONG vai tentar acompanhar a triagem dos interessados em adoção”, afirma.

Segundo Ghio, apesar de o caso Ambrósio ter chamado a atenção, há outros animais na cidade à espera de um lar.

“Queria que lembrassem que, como ele, vários outros estão abandonados, ou foram vítimas de maus-tratos e aguardam uma família.”

COMISSÃO 

Segundo a assessoria da deputada Janete de Sá (PMN), presidente da CPI, o depoimento da tutora deve ocorrer dia 19, na Câmara de Cachoeiro.

A comissão também pretende ouvir o veterinário que cuida do animal, o delegado que registrou a ocorrência e a diretora do CCZ.

Maus-tratos é crime previsto em lei, com possibilidade de detenção.

A reportagem não conseguiu contato com a idosa.